21-07-2008

Bônus à sobrevivência

A notícia abalou as bases do NHS (National Health Service, responsável pelo serviço público de saúde oferecido aos britânicos): proposta feita por entidade que agrega cinco dos maiores hospitais locais prevê pagamento de “bônus” extras a cirurgiões quando pacientes permanecem vivos – e bem – depois das respectivas operações, ou quando receberem alta sem infecção hospitalar.

Apresentado pelo Imperial College Healthcare Trust, entidade que agrega cinco dos maiores hospitais da capital inglesa como o Charing Cross, o Hammersmith e o Queen Charlotte’s, se aprovado, o esquema passará a valer no final deste ano.

Segundo o porta-voz das entidades, “estamos apresentando um projeto-piloto, por meio do qual tentaremos medir a melhora funcional de pacientes após cirurgias e reverter bônus extraordinários aos médicos responsáveis pelos procedimentos bem-sucedidos”.

O pagamento de bônus será vinculado principalmente aos critérios de mortalidade; quantidade de infecções hospitalares e relação custo/benefício. “Trata-se de salvaguardar a excelência no atendimento”, garante o porta-voz da entidade.

Repulsa
Essa idéia, porém, parece estapafúrdia às entidades que atuam na defesa dos direitos dos pacientes, que temem que tal “agrado” aos médicos seja capaz de afastá-los de operações mais complexas ou promovidas em pacientes mais vulneráveis, como, por exemplo, em idosos.

Entre as pessoas que mais se espantaram com a proposta está Katherine Murphy, diretora da Patients Association britânica, que enfatizou que há o perigo de que casos complicados sejam negligenciados pela falta de garantia quanto aos “melhores” resultados.

Na visão dela, teoricamente, “os médicos já têm a obrigação de garantir os melhores cuidados possíveis”. Além disso, pondera que bons médicos ficarão ofendidos com a idéia de vincular um procedimento ao pagamento de um dinheirinho extra.

Concordou com o raciocínio o professor Ellis Dowes, do Chase Farm Hospital, também em Londres, que classifica a proposta como “ofensiva e inacreditável”.

“Como profissional altamente treinado e qualificado, farei meu melhor aos pacientes, sem contar com induções financeiras. Seria como dizer que um piloto de avião merece receber um extra se sua nave não sofrer nenhum acidente”, ironizou o professor.

Fonte: DailyMail on line


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