28-10-2018

Caminho longo para morrer

Quase dois anos depois de os eleitores do Colorado, Estados Unidos, aprovarem lei sobre morte assistida, cada vez mais pacientes terminais tem optado por acabar com suas próprias vidas. Mas a televisão da KMGH, em Denver, descobriu que o processo nem sempre corre da maneira esperada: há obstáculos e preocupações entre pacientes, profissionais e familiares, por motivos que vão de encontrar médicos capacitados (e que dispõem a ajudar neste momento), ao preço das drogas letais.

Grupos religiosos e até seculares afirmam-se “alarmados” com o crescente número de pessoas que tem optado pelo suicídio assistido naquele Estado: se em 2017, 69 indivíduos no Colorado receberam prescrições para medicamentos para morrer, em 2018, está previsto de um aumento de até 40%.

Desses, a grande maioria tem câncer – o que assusta o médico oncologista Robert Jotte, do Rocky Mountain Cancer Centers, que afirmou à rede ABC que não prescreverá “pílulas de suicídio”.  Diz: “todos os dias, minha prioridade é garantir que meus pacientes não sofram. Só que partir para esse recurso não é ajuda-los a morrer com dignidade, é contribuir para suicidarem-se”.

Argumenta que os oncologistas estão avançando em diagnósticos moleculares, terapia direcionada que poderia adicionar anos de qualidade à vida “e, no final, tratar a dor”.

Paz
Na opinião do médico, se a ideia é ter paz, alguns estão ignorando a situação daqueles que levam horas – ou dias – para morrer, depois de ingerir as drogas.

Tal circunstância é desmentida por Sam DeWitt, da Compassion & Choices. “O período mais longo que já ouvi falar é de oito horas após as pílulas", afirma.

Parte do problema, explica, é o tipo de droga. A mais eficaz custa US $ 4.000. Um coquetel de medicações custa algumas centenas de dólares, mas causa uma morte mais lenta.  “Obviamente, ter um profissional médico nesses momentos é de suma importância".

Segundo DeWitt, a questão mais premente é a de que muitos médicos se recusam a prescrever os medicamentos, além de farmácias, a aviarem as receitas.

O médico Cory Carroll, abertamente favorável às leis de Right-to-Die, teme que pacientes desesperados pela morte precisem trilhar um caminho tão difícil. “Para mim, isso é sobre a autonomia do paciente. Não é sobre o que eu acredito ou o que alguém acredita, é 'em que o paciente acredita e o que quer'".

Fonte: Bioethics.com e ABC News


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