Conflitos de interesses em pesquisa clínica. Oselka, Gabriel Wolf ; Oliveira, Reinaldo Ayer de. São Paulo : CREMESP, 2007. 102p. ISBN 978-85-89656-14-6 QH332 C748c 2007
Acesso a íntegra do livro
INTRODUÇÃO
Conflitos de interesses se fazem presentes em qualquer relação entre dois (ou mais) atores. Seria, no mínimo, improvável, considerar que o contato entre pesquisadores e indústria farmacêutica – o qual embute uma série de intenções explícitas e implícitas – fosse exceção à regra. E é justamente por isso que o assunto tem chamado tanto a atenção de bioeticistas.
Da mesma forma que os outros temas mais lembrados na área (como Uso de Células-Tronco Embrionárias e Dilemas Perante o Final de Vida), a questão do Conflito de Interesses se encaixa perfeitamente no conteúdo temático da Bioética, que se dedica “ao estudo sistemático das dimensões morais – incluindo visões, decisões, condutas e políticas das ciências da vida e dos cuidados da saúde, utilizando extensa variedade de metodologias éticas, num contexto interdisciplinar”.
Apesar de freqüente, parece não ser fácil admitir a presença inevitável do conflito. E deveria ser exatamente o contrário: somente se torna possível lidar com situações conflituosas, a partir da constatação e da atitude transparente em relação a elas.
Tal conclusão motivou o Centro de Bioética e a Câmara Técnica de Bioética do Cremesp a realizarem simpósio específico, promovido com o modesto objetivo de iniciar debates, contando com todos os interessados nas pesquisas para a liberação de novas drogas ao mercado, ou seja, voluntário; clínico responsável por recrutamento de pacientes; investigador e laboratório.
O resultado do Simpósio demonstrou-se tão interessante e didático que inspirou a publicação do 2º volume dos Cadernos de Bioética do Cremesp, linha editorial coordenada pelo Centro de Bioética e Câmara Técnica Interdisciplinar de Bioética do Cremesp, e inaugurada em 2005, com a publicação de eventos voltados a Terminalidade; Destinos dos Pré-Embriões; Clonagem, e Meio Ambiente.
Seguindo a fórmula original, a edição das apresentações baseou-se na lógica transmitida pelos expositores, aproximando-se mais da linguagem falada do que a presente em artigos acadêmicos. A intenção foi propiciar ao leitor a sensação de efetivamente “participar” do encontro, não apenas submeter-lhe a uma postura passiva, diga-se de passagem, tão oposta à proposta de um legítimo debate Bioético.
Esperamos que todos apreciem nossa idéia e seus resultados.