Até os 14 anos, Lynn Gilderdale foi uma menina normal, que praticava esportes e estudava música. A partir dessa idade, no entanto, começou a apresentar os sinais da encefalomielite miálgica, que, entre outros danos físicos, causou perda de movimentos da cintura para baixo, além da incapacidade de engolir alimentos.
A doença resultava ainda em fraqueza muscular, rigidez e dores nas articulações e, ainda, na perda da coordenação motora.
Chegou dessa forma aos 31 anos, na cama, ainda que tivesse tentado várias vezes suicidar-se. Sem sucesso, recorreu à sua mãe, Kathleen Gilderdale, implorando que abreviasse seu sofrimento. E assim aconteceu: em dezembro de 2008, após ter tentado demover, sem sucesso, a filha da idéia fixa de morrer, a mulher administrou à filha diversas doses de morfina, comprimidos antidepressivos e soníferos esmagados e aplicou-lhe seringas de ar.
Desde então a Justiça vem analisando o caso, amplamente divulgado pela imprensa local. Somente agora o tribunal de Lewes, condado de East Sussex deu o veredicto: inocente.
“Amorosa”
Ao proferir a sentença o juiz Bean deixou clara sua posição pessoal. “Não há dúvida de que você era uma mãe zelosa e amorosa, que julgou estar fazendo o melhor por sua filha”.
Um fato interessante a respeito do resultado desse julgamento: três dias antes, também na Inglaterra, Frances Inglis foi condenada à prisão perpétua por realizar eutanásia em seu filho, Thomas, empregando-lhe injeções de heroína.
Em 2007 o rapaz sofreu lesão cerebral grave ao cair de uma ambulância. Descrente da recuperação do filho, Frances resolveu poupar-lhe daquilo que chamou de um “sofrimento terrível”, optando por uma “morte sem dor e serena”.
Assim, ações semelhantes tiveram avaliações diametralmente opostas.
Fonte: BBC Brasil
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