09-06-2009

Seria antiético utilizar abreviaturas ou siglas em prontuário médico?

Presidente de Comissão de Ética Médica de determinado hospital explica que, durante discussão sobre prontuário médico com equipe multiprofissional, surgiram algumas dúvidas relativas ao uso de abreviaturas de palavras (ou diagnósticos) e o uso de siglas em prontuários médicos. É permitido? Existem normas para o emprego de abreviaturas ou siglas?

Apesar da extraordinária importância do tema, devida ao uso freqüente das abreviaturas e siglas na área da saúde, tanto do ponto de vista informal, este não tem sido abordado ou normatizado em publicações brasileiras.

Por isso, alguns parâmetros devem ser discutidos à luz da literatura atual.

O uso de abreviaturas ou siglas é corrente no preenchimento de prontuários e de diversos documentos médicos e resulta na vantagem de imprimir rapidez aos relatórios médicos, tornando-os mais completos e com maior número de informações essenciais. Por outro lado, não existindo padronização, certas variações de termos nos âmbitos regional, institucional e mesmo individual tornam absolutamente impossível decifrar-se, em certas oportunidades, documentos e/ou prontuários médicos.

Deve-se, então,  preferir escrever por extenso as anotações médicas, evitando-se o uso freqüente das abreviaturas ou siglas, evitando-se situações que remetam a erro de interpretação e suas conseqüências.

Segundo Ariza, as siglas são um dos recursos lingüísticos mais característicos e recorrentes da linguagem das ciências da saúde. Refere que a antiguidade das siglas, enquanto referência às letras iniciais das palavras, vêm desde o império romano, e desde então este fenômeno lingüístico tem estado presente em todas as línguas e em todos os períodos.

De acordo com o autor, Hipócrates e Galeno utilizavam formas abreviadas em seus casos estudados e descritos, citando que D (delta) equivalia a diarréia e T a tokos (nascimento) etc.

A linguagem da ciência da saúde, como toda linguagem técnico-científica, tem o objetivo de transmitir a maior quantidade de informação com o mínimo de palavras.

Vale lembrar que existem regras formais para utilizações de abreviaturas, siglas e símbolos. Exemplo: há o “Dicionário de siglas médicas”, escrito pelo médico Olympio Barbante, em que o autor faz um trabalho elogiável de coligir as siglas médicas mais utilizadas em nosso território tanto em publicações médicas quanto na prática médica. Além disso, a ABTN (Associação Brasileira de Normas Técnicas) publicou desde 1989 e vigente até hoje as normas de abreviações de títulos e periódicos e publicações seriadas, onde inclui uma “lista brasileira de abreviaturas para utilização em publicações científicas”.

O assunto aqui discutido merece uma melhor discussão para que se possa no futuro definir regras padronizadas para todo o território nacional.

  Veja a íntegra do Parecer Consulta nº 61.624/05 do Cremesp.


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