26-06-2007

Contracepção facilitada

Dois meses depois de o presidente Lula solicitar à base aliada que não tome posição sobre eventual descriminalização do aborto, seu Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, voltou a defender a prática, além de deixar claro: vai ampliar o acesso à chamada “pílula do dia seguinte”.

Durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S. Paulo ele abordou vários desses temas polêmicos.

Sobre o aborto, ressaltou, entre outros pontos: “ninguém defende o aborto por si só. Nosso problema são as mulheres que engravidam e se defrontam com uma situação difícil, na maioria das vezes dramática, e como o Estado apóia este processo” (...) A única coisa que não aceito nessa discussão é alguém negar que essa é uma questão de saúde pública. Aí tem a visão da igreja, da família, do cidadão, mas negar que essa é uma questão de saúde publica, que mata mulheres, que traz sofrimento e dor, é uma irresponsabilidade.”

Temporão defende ainda que o aborto seja descriminado até a 12ª semana de gravidez. “Até ali, em torno da 12ª semana, não há (no feto) consciência, sofrimento, dor. Vários especialistas dizem isso e é essa a posição que defendo”.

A respeito da pílula do dia seguinte, o ministro disse que sua pasta “usará sim” o produto, pois “ele é uma arma importante no sentido de prevenção da gravidez indesejada”.

Críticas
Como seria esperado, grupos religiosos e antiabortos reclamaram da posição do Ministro. A bióloga e biomédica Lílian Piñero Eça, da Unifesp e do Núcleo Científico do Movimento Nacional em Defesa da Vida – Brasil sem Aborto, diz que “a pílula do dia seguinte nada mais é do que uma bomba hormonal que provoca um aborto”.

Para Francisco Borba, coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC/São Paulo, “tudo o que a igreja fala do aborto aplica-se à pílula do dia seguinte, com um agravante: a pessoa recebe uma pílula que é igual a qualquer outra pílula, e toma-a sem saber que pode estar fazendo algo contrário a sua própria consciência. Faz um aborto sem nem saber que está fazendo. Isso é uma insensibilidade”.

Fontes: Folha de S.Paulo; O Globo e O Estado de São Paulo

Veja também:
Lula vs. aborto (14-04-2007) 
O ministro e o aborto (29-03-2007)
Plebiscito sobre aborto… (22-03-2007)


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