No Instituto da Criança

O nome de Gabriel Oselka, coordenador do Centro de Bioética do Cremesp, tornou-se referência em áreas como Imunização e Bioética, além de ser citado, com freqüência, em meios acadêmicos e em entidades médicas, já que foi presidente dos conselhos Federal e Regional de Medicina.

Mas, como se pôde perceber durante a homenagem promovida em virtude de sua aposentadoria na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), no anfiteatro do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas/HC, em 8 de dezembro, Gabriel (como gosta de ser chamado) é essencialmente um pediatra: muitos dos seus alunos, colegas contemporâneos de academia e de profissão, além de amigos e admiradores, ressaltaram seu papel no cuidado com as crianças.

“Dentro de nossa formação médica tivemos a alegria de ser influenciados por uma geração que baseou seu trabalho em virtudes como sabedoria, justiça e generosidade. O Gabriel foi um dos maiores ícones para nós que trabalhamos com oncologia pediátrica” emocionou-se Vicente Odone Filho, professor titular e médico onco-hematologista do Instituto de Tratamento Contra o Câncer Infantil do Hospital das Clínicas de São Paulo (ITACI), um dos primeiros a falar em nome dos colegas.

Odone revelou que, em breve, o instituto em que atua pretende descerrar em sua entrada uma placa com os seguintes dizeres “A Gabriel Wolf Oselka, que iniciou a oncologia pediátrica”.

As qualidades de Gabriel também foram mencionadas pelo pediatra Francisco Ferrucio De Fiore, que foi chefe do ambulatório de Pediatria do HC e diretor executivo do Hospital, que ressaltou: “apesar de, no passado, termos nossas diferenças políticas, Gabriel procurava dar um jeito de nos ajudar em problemas práticos, como falta de vaga no meu ambulatório, quando ele era chefe do Grupo Geral de pediatria do HC. E, o mais importante: sempre tratou da mesma forma os pacientes pobres e os ricos, sem qualquer discriminação”.

Bom-senso
Outro que fez questão de dizer algumas palavras foi o infectologista Vicente Amato Neto, responsável pelo início de Oselka na área de imunização, nos anos 70, no Hospital do Servidor Público Estadual.  “Não há um amigo que não concorde: Gabriel possui um grande número de virtudes, entre as quais: sempre teve um bom-senso impressionante; sempre encontra, com equilíbrio, soluções para resolver situações difíceis; e nunca foi prepotente, personalista, nem pretensioso. Uma personalidade rara em nosso meio”, admitiu.

Entre as partes mais emocionantes do encontro esteve aquela em que o coordenador do Centro de Bioética do Cremesp recebeu uma placa das mãos de Débora Araújo, uma das primeiras pacientes que atendeu no ambulatório do HC, ladeada por seu pai, Antônio Araújo; quando rosas foram entregues aos contemporâneos de Oselka presentes; e a hora em que ele próprio proferiu suas palavras de agradecimento.


Gabriel recebe placa das mãos de uma de suas primeiras pacientes no ambulatório, Débora Araújo, e do pai dela, Antônio Araújo

“Houve dois momentos muito marcantes em minha carreira, ambos com duração de 21 anos. O primeiro correspondeu ao início de minhas atividades médicas e acadêmicas em 1968, no Instituto da Criança, época em que tive a satisfação de chefiar o Grupo Geral, que durou até 1989, quando o instituto passou por uma reformulação. O outro, iniciado em 1989, quando passei a me dedicar às minhas duas outras áreas de atuação: a Imunização e Bioética”.

Em relação à primeira fase destacada, deixou claro que, com a Medicina tão dividida em especialidades e sub-especialidades nos dias de hoje, conhecer a fundo todos os aspectos da pediatria geral seria ilusão – portanto, não se magoa com o término de seu grupo. “Se as pessoas guardam uma lembrança boa do nosso grupo é o fato de ser dedicado ao ensino. Tínhamos a preocupação de discutir cada caso em profundidade”, relembra, enfatizando as saudades do tempo do qual coleciona “as melhores lembranças de minha vida acadêmica”.

Breve história
Um dos pontos altos da homenagem a Gabriel Oselka foi uma breve apresentação de sua história em telão, narrada pela historiadora Clarice Laender, que está realizando uma biografia sobre o médico para o Instituto da Criança, prevista para ser lançada em março do próximo ano. 

Foram mencionados trechos da história do médico, primogênito de imigrantes judeus poloneses que deixaram sua terra natal em virtude dos horrores da guerra, estabelecendo-se no Brasil, em São Paulo, no bairro do Bom Retiro, onde Gabriel cresceu.

Por onde passou a presença do garoto sempre teve destaque: foi orador de sua turma de ginásio, no colégio Sttaford, estudando depois, no tradicional Colégio Bandeirantes, na Vila Mariana, onde estudou até entrar na USP, local em que completou sua graduação em Medicina em 1965, e residência em Pediatria, em 1967.

Ainda muito jovem participou do Grupo Geral de Pediatria, que chefiou desde a sua criação até sua extinção, em 89, referência para todos os grupos que atuam com crianças no Hospital das Clínicas. 

Só para dar uma idéia de o quanto Gabriel é querido, vale lembrar que ele foi paraninfo dos formandos da Faculdade de Medicina da USP por oito vezes; patrono da turma, por duas; e homenageado em todos os demais anos, entre 1969 e1989.

Fotos: Osmar Bustos

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