Comunicao em Sade

Quem tem a informao tem o poder.

A frase, esboada por Marcelo Ferraz Sampaio, representante da Diretoria Clnica do Hospital Alemo Oswaldo Cruz, resume bem o teor das palestras ministradas no local, no dia 26 de junho, por ocasio do Simpsio de Biotica Hospitalar promovido pela instituio em parceria com o Cremesp e Sociedade de Biotica de So Paulo.

Alis, este foi o primeiro da srie de eventos do gnero a direcionar-se especificamente a um nico tema no caso, a Comunicao e a Informao no mbito da Sade , como lembrou Reinaldo Ayer de Oliveira, presidente da Sociedade e conselheiro do Cremesp, durante a mesa de abertura, que, alm dele e de Marcelo Ferraz, contou com a participao de Luiz Alberto Bacheschi, presidente do Cremesp, e de Janice Caron Nazareth, coordenadora da Comisso de Biotica do Oswaldo Cruz e organizadora do evento.

A iniciativa de se proporcionar um simpsio direcionado a um tema especfico parece ter agradado bastante a platia presente ao auditrio da instituio (em nmero significativo, em pleno sbado pela manh), que participou com perguntas e observaes no decorrer de todas as palestras.

Diferenas entre informar e comunicar
A informao a base para a tomada de decises sobre a prpria sade, por parte dos pacientes/clientes/usurios. Como ser autnomo se eu no estiver informado?, questionou o bioeticista Paulo Fortes, presidente da Sociedade Brasileira de Biotica (SBB), na palestra inaugural Biotica na Comunicao e Informao na Sade.

J a comunicao, como explica o professor, corresponde a um processo contnuo, no pontual, para que se consiga passar informaes de maneira simples, aproximativa, inteligvel, leal e respeitosa a pessoas vulnerveis (como costumam ser os pacientes), facilitando sua participao e adeso ao tratamento. Se eu quero me comunicar tenho que criar espao para o outro e responder suas questes, ponderou.

Para dar uma idia de o quanto o processo de comunicao pode ser truncado o professor citou um estudo promovido por uma de suas orientandas na Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo, que abordou autonomia de idosos internados em um grande hospital pblico. Segundo os resultados, 13% dos entrevistados no tinham informao do porqu estavam internados; e 77% no sabiam que remdios estavam tomando.

Codame
No regra geral, bvio. Mas existem profissionais que tm vocao para publicidade enganosa, lanando mo de recursos como sensacionalismo e autopromoo na divulgao de seus servios.

Para coibir tais aes no mbito mdico e orientar sobre propaganda tica atua no Cremesp a Comisso de Divulgao de Assuntos Mdicos (CODAME), coordenada pelo conselheiro Lavnio Nilton Camarim, que participou da mesa redonda Como Noticiar com tica na Mdia. Entre outros pontos, Camarim deixou claro: neste tema, a prioridade de nosso Conselho no punir e, sim, instruir os colegas sobre como no fazer anncios antiticos.

Em tal tarefa, a CODAME agrega como finalidades emitir pareceres a consultas sobre propaganda exagerada, abusiva ou incorreta; convocar os mdicos e pessoas jurdicas para esclarecimentos e rastrear anncios divulgados em qualquer mdia, entre outras.

Outros pontos importantes sobre Comunicao em Sade
O Simpsio de Biotica Hospitalar no Hospital Oswaldo Cruz contou ainda com mesas redondas referentes a Como dar ms notcias e sobre Sigilo Profissional e Confidencialidade.

Na primeira falou, entre outros, Monica Trovo, especialista em Biotica e doutoranda em Cuidados Paliativos que lembrou: nem sempre as ms notcias relacionam-se a uma doena terminal ou morte de um ente querido. Qualquer informao que afeta a perspectiva de futuro de um indivduo uma m notcia. Inclui-se aqui informar a um diabtico que, a partir de agora, dever tomar insulina todos os dias, e a um renal crnico que precisar ser submetido dilise trs vezes por semana.

Coube ao padre e bioeticista Mrcio Fabri dos Anjos trazer os fundamentos do sigilo e da confidencialidade na ltima palestra do Simpsio. Destacou, entre outros pontos, que todos os sujeitos leia-se sujeitos como indivduo, grupos e instituies tm direito confidencialidade sobre determinadas informaes privilegiadas.

A sociedade precisa reservar espaos para os temas de confidencialidade absoluta, aonde a pessoa possa se expor por completo, sem se arriscar.

Algumas frases
- preciso que haja humildade e respeito com as pessoas neste mundo globalizado, Janice Caron, coordenadora da Comisso de Biotica do Hospital Oswaldo Cruz

- Para se comunicar com o paciente, o profissional de sade deve se adaptar ao estado emocional daquela pessoa, Paulo Fortes, presidente da SBB

- Ser que a tendncia de o paciente buscar mais e mais esclarecimentos vem da falta de confiana no mdico?, Yoram Weissberger, oncologista, durante a mesa-redonda Como dar Ms Notcias

- Uma comunicao eficaz no nos deixa sozinhos. S vou consegui-la se houver vnculo com meu paciente, Ingrid Esslinger, psicloga, durante a mesa-redonda Como dar Ms Notcias

- O Brasil criou uma cultura de respeito absoluto intimidade. Devemos chegar a um meio-termo justo para no pecarmos pelo exagero, Srgio Domingos Pittelli, neurocirurgio e advogado, durante a mesa redonda Sigilo Profissional e Confidencialidade no Sculo XXI

- A segurana do pronturio eletrnico muito maior do que a do pronturio de papel. Qualquer um pode vestir um jaleco branco e acessar pronturios em papel, arrancar pginas, mudar, etc, Mrcio Biczyk do Amaral, mdico e especialista em informtica, durante a mesa-redonda Sigilo Profissional e Confidencialidade no Sculo XXI

- A confidencialidade por um lado um grande bem, mas est sujeita a ambigidades, Mrcio Fabri dos Anjos, telogo, durante a mesa-redonda Sigilo Profissional e Confidencialidade no Sculo XXI



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