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Tentando dizer algo sem dizer: Hai-cai na educação em Saúde
Comentado por Trajano Sardenberg

Attempting to say something without saying it …: writing haiku in health care education (Tentando dizer algo “sem dizer”…: empregando Hai-cai na educação em cuidados com a Saúde)

Autores: FC Biley e J. Champney-Smith

Revista: Medical Humanities, 2003, 1: p. 39-42 (Edição do The Journal of Medical Ethics)

Abstract:

Over a number of years the authors have been running short haiku writing workshops and have been using haiku as an evaluation tool. This paper describes those experiences and uses the haiku generated in these workshops to illustrate how this poetic form can be used as – for example, part of the process of reflection, to explore emotional and practical issues related to clinical health care practice, to refine writing skills and precision and, it is hoped, to convey to others the essence of the experience of health care provision, education and, perhaps, health, illness, and disease.

(Comentado por: Trajano Sardenberg, professor do Departamento de Cirurgia  e Ortopedia da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp

Resumo/comentário:

O Hai-cai é um poema japonês pequeno composto por três versos, o primeiro e o terceiro com sete sílabas e o segundo com cinco sílabas, sem necessidade de rima. Sua popularidade no Japão ocorreu no século XVII. Ele possibilita o que o nome do artigo diz: tentar dizer alguma coisa sem dizê-la.

O artigo de Biley e Champney-Smith, professores da Universidade de Wales, no Reino Unido, relata a experiência do uso de Hai-cai em trabalhos educacionais com alunos de enfermagem e com enfermeiros que estudam ou trabalham na área de saúde de adultos ou de doenças mentais.

A utilização do Hai-cai ocorre em oficinas de trabalho e estudo dentro do Curso Geral de Artes e Humanidades nos Cuidados com a Saúde. Durante os oficinas, que duram aproximadamente uma hora, os alunos são orientados sobre as técnicas de escrever Hai-cai, utilizando-se vários exemplos de poemas. Posteriormente, são divididos em pequenos grupos para criarem Hai-cais, tendo como temas de reflexão e inspiração aspectos relativos ao trabalho como enfermeiro e com o processo de aprendizagem em enfermagem. Posteriormente há declamação dos poemas e debates sobre os sentimentos dos autores e demais membros da oficina.

Os autores relatam que, no início, os alunos apresentam timidez e relutância em escrever os Hai-cais. No entanto, em pouco tempo essas restrições são superadas, havendo participação ativa dos presentes,  com aplausos espontâneos para alguns poemas.

A utilização de literatura no ensino na área de saúde não é novidade. Do mesmo modo, há vários exemplos do uso de outras formas de arte no processo de ensino na área de saúde, como pintura e música. As artes, dentro dessa visão, podem exercer relevante papel na busca de uma visão holística da natureza dos cuidados da saúde e em educação na saúde.

O artigo apresenta vários exemplos de Hai-cais realizado por alunos de enfermagem ou enfermeiros que participaram das oficinas de trabalho dentro do curso. Observa-se que os poemas são extremamente interessantes e refletem de modo claro as emoções e as expectativas dos participantes.

A titulo de ilustrações apresento alguns Hai-cais citados no artigo, em tradução livre.

Cinco semanas de vida
Na última, o paraíso acima,
Mas eu ainda estou aqui.
(Sylvia)

Aqui estamos de novo
Faculdade é importante?
Pergunte às corujas e não às lesmas
(Adam)

Lá fora o sol brilha,
Aqui, as mãos seguram as pernas, ela chora
demais para suportar sozinha
(Cheryl e Paddy)

O bebê nasceu de noite,
Sem movimentos, sem vida.
A chuva cai, a lua brilha.
(Mary).)

Veja o índice completo desta edição da Medical Humanities.



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